Serei eu?
_ E a senhora não me revela o nome feliz?
_ Eu não… não posso …
_ Mas por que não pode?
_ Porque não devo .
_ E nunca o dirá?!
_ Talvez um dia .
_ E quando? …
_ Quando estiver certa de que ele não me ilude.
_ Então.. ele é volúvel? …
_ Ostenta sê-lo …
_ Oh!.. pelo céu! …. acabe de matar-me!… basta o nome pronunciado bem em segredo, bem no meu ouvido, para que ninguém o possa ouvir, nem a brisa o leve… pelo céu! …
_ Senhor! …
_ Um nome só lhe peço! ..
_ É impossível! … eu não posso ! …
_ Se eu perguntasse?
_ Oh!.. não! …
_ Serei eu? …
A virgem tremeu toda e não pode responder. Augusto lhe perguntou ainda, com fogo e ternura:
_ Serei eu? ..
A interessante Moreninha quis falar.. não pode, mas, sem o pensar, levou o braço do mancebo até ao peito e lhe fez sentir como o seu coração palpitava.
_ Serei eu? … perguntou uma terceira vez Augusto, com requintada ternura .
A jovenzinha murmurou uma palavra que pareceu mais um gemido do que uma resposta, porém que fez transbordar a glória e entusiasmo na alma do seu amante; ela tinha dito somente:
_ Talvez.
A Moreninha - Joaquim Manuel de Macedo
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